Mais um espaço que se vai…

Como vocês já devem saber, o Espaço Brasil Telecom encerrará suas atividades nesta quinta-feira (25/6), a partir das 21h, com show da banda pernambucana Mombojó. A homônima empresa de telefonia, gestora do espaço cultural localizado dentro do Brasília Alvorada Hotel (antigo Blue Tree), no Setor de Clubes Norte, transferiu totalmente suas operações, em maio deste ano, para a Oi que, por sua vez, não se interessou em assumir o ponto.
Em exatos 15 meses de atividades – foi inaugurado em 26 de março de 2008, com apresentação solo de Fernanda Takai em tributo a Nara Leão -, o luxuoso teatro abrigou dezenas de artistas/bandas de estilos diversos: Plebe Rude, Móveis Coloniais de Acaju, Gog, Vanguart, Vive La Fête, Marina de la Riva, Ana Cañas, Hamilton de Holanda, Black Lips, Mallu Magalhães, Wado, Curumin, Little Joy, Bois de Gerião, Cibelle, Mariana Aydar, Tom Zé, Silvia Machete, Céu, Superguidis, Lucas Santana, BNegão, Rômulo Fróes, Teresa Cristina, Violins, O Teatro Mágico, Lucy & the Popsonics, Bossacucanova, Phonopop, Nina Becker, Roberta Sá, Guizado, Andréia Dias, os festivais El Mapa de Todos (com Marcelo Camelo, Babasónicos, DanteInferno, Mundo Livre S/A, Sr. Chinarro, Azevedo Silva, Beto Só, Turbopótamos, Javiera Mena, La Quimera del Tango, Macaco Bong, etc) e Móveis Convida (com Pata de Elefante, Watson, Coiffeur, Diego de Moraes e o Sindicato, The Pro, etc), entre tantos outros. Além de várias peças de teatro, adulto e infantil.
Como a própria assessoria do Espaço Brasil Telecom comunicou à imprensa, foi um total de “196 eventos, mobilizando um público de mais de 50 mil pessoas. E que trouxe a Brasília pela primeira vez 43 grupos musicais ou teatrais, dos quais 22 estrangeiros. Destes, a maioria nunca tinha se apresentado no Brasil”.
Em uma cidade absolutamente carente de casas de espetáculo de verdade, a notícia não podia ser pior. Afinal, além do Centro de Convenções, qual outro lugar em Brasília tem a configuração “acústica + conforto do público” para se possa assistir a um show/espetáculo decentemente? Os pubs? O ginásio Nilson Nelson? O estádio Mané Garrincha?
É verdade que o acesso ao Espaço Brasil Telecom era complicado para quem não tem carro, já que os ônibus não circulam por aquela região. Talvez muitos dos que estejam lendo este artigo nem tiveram oportunidade de conhecer o local. Mas se vivemos discutindo aqui sobre as dificuldades, por exemplo, de se viabilizar atrações internacionais ou alternativas na capital do país, o fechamento de um espaço como esse – mesmo que com capacidade para apenas 420 pessoas sentadas – atrapalha ainda mais.
Boatos circulam de que um grupo de empresários assumirá o teatro a partir de agosto, com outro nome, mas a mesma proposta. Aguardemos…
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Comentários
Ouvi dizer que será lançado um novo espaço chamado “Expressões OI” ou ” OI Expressões” uma coisa assim…
Até pensei que seria a nova cara do Espaço BrasilTelecom mas pelo visto será em outro local mesmo…
Agora é aguardar e esperar pelo lançamento, se é que vai acontecer… e que também a acessibilidade aos produtores de pequeno e médio porte da cidade seja fácil e que os gestores da casa entendam ao mínimo alguma coisa de produção, bandas, mercado independente etc…
Cogita-se que Paul McCartney pode fazer o show do aniversário dos 50 anos da cidade de Brasília. Segundo o Vice-governador, Paulo Octávio, o GDF pagaria até U$$ 1 milhão para tê-lo na capital federal. Ainda não é nada certo, mas são apenas especulações, segundo informações do site Yahoo. A mídia já considera que McCartney pode fazer encerrar sua carreira em 2010, pois já está com 67 anos.
Olá a todos!
Eu nunca tive a oportunidade de conferir esse espaço, pelo simples motivo que o Marcos citou: a difícil localização para quem não tem sempre um carro disponível.
Mas, me afeta muito mais saber que grandes cidades, como Taguatinga e Ceilândia, ainda não possuem locais adequados para eventos culturais.
Vai ser moleza para a Oi reativar esse lugar,isso se não adquirir outros mais. Se isso acontecer vai ser pelo incentivo a cultura? Óbvio que não, apenas para divulgar seu nome junto a grandes atrações e a um público que pague.
Gente, não tô entendendo a de vcs. Quando se cogita de o GDF bancar o Porão, todo mundo reclama. Só que, ao mesmo tempo, ninguém quer admitir o envolvimento das corporações em eventos culturais e esportivos em troca da divulgação da marca. Isso pra mim é contradição.
Alguém tem que pagar a conta e essa história de mecenas, patrono, “arte pela arte”, etc. não existe mais. Tudo é business. Neste caso, “show business”. É ingenuidade pensar o contrário… até as bandas mais honestas do mundo querem e precisam fazer uma graninha pra viver…
Bom, pelo que consta o GDF já não banca mais o Porão, pelo menos não com tanto dinheiro quanto entrava nas primeiras edições.
De qualquer modo, o governo eventualmente investir no Porão é ruim porque é muito dinheiro pra um evento faraônico, que acontece só uma vez por ano, e cuja contribução pra vitalizar a música e a cultura do DF tem sido mínima. Como uns e outros vivem dizendo por aí, que grandes bandas foram reveladas pelo Porão? Cadê a sequência do trabalho das bandas que tocaram no Porão 2003, por exemplo? Se é pro governo gastar dinheiro com rock independente, está claro que seria melhor patrocinar iniciativas muito menores, porém mais constantes, nos moldes do que era a Feira de Música – que, com uma fração do orçamento de uma edição do Porão, revelou no mínimo meia dúzia de bandas que se destacaram dentro e fora de Brasília e mantiveram a vitalidade da cena até alguns anos depois do fim da FM.
Lógico que era outro tempo e outro contexto cultural. Só estou querendo dizer que, dez anos depois, pra mim tá claro que o Porão só começou a se justificar quando se assumiu como festival de grande porte, trazendo Muse, Mudhoney e tais. Como incentivador da cultura local, o tempo provou que o Porão é inútil. IMHO.
O que seria legal pra uma cena de rock e música alternativa em geral? Justamente um espaço pra shows bancado por alguma organização que possa se dar ao luxo de perder dinheiro, em troca de publicidade ou algum outro proveito. Uma cena alternativa e “elitista”, como é o rock no Brasil, não se sustenta se precisar depender de público pagante. Tem que correr mesmo atrás de apoio do governo ou da iniciativa privada. Esse negócio de localização é irrelevante, porque pra ver o Ira! o povo se desloca tranquilamente até a Concha Acústica; pra ver a seletiva do Porão, a mesma Concha Acústica passa a ser “longe demais e de difícil acesso”. O lance é que não tem público no DF pra ver Mombojó nem festival com bandas peruanas. Se a gente considera que é culturalmente importante rolar esse tipo de show, então é preciso pensar em formas alternativas de custear isso aí. Vender ingresso ou CDs simplesmente não rola mais.
Iza,
em Taguatinga tem os teatros do SESC e do SESI e em Ceilândia o do SESC, ótimos espaços…de dar inveja no Teatro Nacional…
Oi Paulo, tudo joia?
Na minha opinião, os lugares que voce citou são bons, mas em especial para apresentações teatrais. O SESC da Ceilândia ainda não completou nem um ano de existência, e apesar de já ter recebido uma cantora de MPB(Leila Pinheiro? Não me recordo agora…) não deu um significativo espaço (ainda) para bandas locais. O SESC de Taguá, no qual frequento, idem.
Se voce tiver mais de 25 anos deve se lembrar do Espaço Livre, em Taguatinga, e do antigo Botiquim Blues (quando ainda era de outro dono, na QND), para citar alguns. Até o ano passado o teatro da praça era usado para algumas apresentações, mas nunca mais tive nenhuma notícia de lá.
Ainda acho que o governo deve muito as cidades quando o assunto é cultura.
Um abraço!
Oi Paulão, tudo bem?
Os lugares que voce citou são bons, mas em especial para apresentações teatrais. O SESC da Ceilândia não tem nem um ano de fundação e mesmo já tendo recebindo uma atraçao da MPB(Leila Pinheiro? não me recordo agora) ainda não deu um significativo espaço para as bandas locais.
O SESC de Taguá, no qual frequento, idem. Se voce tiver mais de 25 anos, deve se lembrar do Espaço Livre, em Taguá, e do antigo Botiquim Blues (ainda na QND), para citar alguns.
Acho que a secretaria de cultura deve investir mais no teatro da praça em Taguatinga, por exemplo, e na praça do Cidadão em Ceilândia.
Um abraço!









brazil telecom é o pessoal do daniel dantas, não?
cá entre nós, até durou demais.
pobre país que precisa de suas corporações para ter “vida cultural”